Artículo: Proteger sem limitar: SaveFamily debate o futuro da segurança digital das crianças

Proteger sem limitar: SaveFamily debate o futuro da segurança digital das crianças
Como podemos preparar as crianças para o mundo digital sem limitar a sua autonomia?
Esta foi uma das questões centrais do Executive Breakfast “Proteção da Geração mais Jovem no Mundo Digital 2.0”, realizado no dia 15 de setembro e organizado pela APDC, em parceria com o TikTok, no qual a SaveFamily esteve presente.
O encontro reuniu representantes da academia, programas de literacia digital, reguladores, decisores políticos, organizações da sociedade civil e plataformas tecnológicas para refletir sobre um desafio que já faz parte do quotidiano de praticamente todas as famílias: como criar um ambiente digital mais seguro para crianças e jovens.
Para a SaveFamily, foi também uma oportunidade para ouvir, aprender e partilhar uma visão que está na origem do nosso projeto: a tecnologia pode ajudar as crianças a ganhar autonomia, mas essa autonomia deve ser progressiva e adequada à sua idade.
A literacia digital deve começar antes das redes sociais
Aprender a utilizar tecnologia não significa apenas aprender a utilizar um dispositivo.
Implica também perceber como funcionam as plataformas, compreender que os conteúdos que aparecem num ecrã não são escolhidos ao acaso e desenvolver progressivamente a capacidade de identificar riscos, publicidade, conteúdos inadequados ou comportamentos pouco saudáveis.
Por isso, um dos grandes desafios é começar a trabalhar a literacia digital desde cedo, antes de a criança ter acesso autónomo às redes sociais.
Ensinar a usar tecnologia pode ser tão importante como decidir quando introduzi-la.
É uma reflexão particularmente relevante numa altura em que muitas famílias se questionam sobre a idade adequada para oferecer um smartwatch a uma criança.
Autonomia e proteção não são conceitos opostos
Proteger uma criança não significa evitar qualquer contacto com a tecnologia.
Da mesma forma, dar-lhe autonomia não significa necessariamente entregar-lhe desde cedo um smartphone com acesso ilimitado à Internet e às redes sociais.
Entre os dois extremos existe um processo de aprendizagem.
Uma criança pode começar a deslocar-se sozinha para determinadas atividades, ficar algum tempo sem os pais ou começar a comunicar de forma mais independente e, ao mesmo tempo, continuar a fazê-lo num ambiente adaptado à sua idade.
É aquilo a que podemos chamar autonomia progressiva: aumentar a liberdade à medida que aumentam também a maturidade, a responsabilidade e as competências digitais.
Esta ideia está diretamente relacionada com uma das dúvidas que mais preocupa as famílias: quando é recomendável dar um telemóvel a uma criança?
Safety by Design: a segurança deve começar no próprio produto
Outro dos conceitos centrais do encontro foi o Safety by Design.
A segurança digital não deve depender exclusivamente de os pais conhecerem todas as aplicações, configurarem dezenas de opções ou supervisionarem permanentemente aquilo que os filhos fazem.
A própria tecnologia deve ser desenvolvida tendo em consideração, desde o início, quem vai utilizá-la, quais são os riscos e que funcionalidades de proteção são necessárias.
Isto significa pensar em questões como a privacidade, o acesso aos conteúdos, os contactos autorizados, o controlo parental ou a forma como determinadas funcionalidades são apresentadas às crianças.
Na SaveFamily, esta filosofia traduz-se em desenvolver tecnologia adaptada às diferentes etapas de crescimento. Um relógio para crianças, por exemplo, pode permitir comunicar com a família ou utilizar localização GPS sem reproduzir necessariamente toda a experiência de utilização de um smartphone convencional.
A segurança digital é uma responsabilidade partilhada
Não existe uma única ferramenta capaz de resolver todos os desafios relacionados com a infância e a tecnologia.
Famílias, escolas, empresas tecnológicas, instituições públicas, reguladores e sociedade civil têm responsabilidades diferentes, mas complementares.
A própria APDC destacou precisamente esta necessidade de uma abordagem multidimensional, combinando inovação tecnológica, medidas de segurança, literacia digital e participação ativa de todos os intervenientes.
Para as famílias, isto significa também que o controlo tecnológico nunca substitui o diálogo.
Uma criança precisa de saber que existe um adulto de referência a quem pode recorrer quando encontra algo que não compreende, recebe uma mensagem que a incomoda ou vive uma situação desagradável online.
Ouvir também as crianças e os jovens
Se queremos desenvolver soluções digitais pensadas para crianças e adolescentes, é igualmente importante ouvir quem as vai utilizar.
Conhecer os seus hábitos, preocupações e formas de comunicar permite desenvolver ferramentas mais realistas e compreender melhor os desafios que enfrentam no seu quotidiano digital.
A segurança funciona melhor quando não é percecionada apenas como uma lista de proibições, mas como parte de uma relação baseada na confiança, no acompanhamento e na aprendizagem progressiva.
Educação + tecnologia segura + acompanhamento + regulação
Uma das principais conclusões que retiramos deste encontro é que a proteção dos mais jovens no mundo digital não depende de uma única decisão.
Depende da combinação de vários elementos:
literacia digital + tecnologia segura + acompanhamento familiar + responsabilidade das plataformas + regulação.
Na SaveFamily acreditamos que a tecnologia pode ser uma aliada neste processo.
Um relógio para crianças com GPS e chamadas, por exemplo, pode representar um primeiro passo entre a dependência total dos pais e a utilização autónoma de um telemóvel, permitindo que a criança ganhe independência progressivamente enquanto a família mantém ferramentas de comunicação e segurança.
Não se trata de afastar as crianças da tecnologia.
Trata-se de ajudá-las a entrar no mundo digital no momento certo, com as ferramentas certas e com adultos que as acompanhem durante o processo.
E esse é um debate no qual queremos continuar a participar.